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TARA,A PRIMEIRA FEMINISTA - A FACE FEMININA DE BUDA

Tara, a Primeira Feminista | Lama Tsultrim Allione

Pela Lama Tsultrim Allione | 21 de janeiro de 2015 

Tradução Daniele Vargas e Luís Oliveira. 

Desde que se tornou ordenada, há quatro décadas, a Lama Tsultrim Allione tem enfrentado sua cota de desafios e sexismo. Por tudo isso, o voto de Tara em trabalhar para o benefício de todos os seres em um corpo de mulher, tem sido uma fonte de orientação e inspiração.
Lama Tsultrim Allione com as filhas Sherab and Aloka em 1978.
Lama Tsultrim Allione com as filhas Sherab and Aloka em 1978.
Quando eu penso sobre mulheres e Budismo, a primeira coisa que sempre me vem à mente é a história do voto de Tara. Esta história expressa a nossa situação de forma muito clara e se aplica igualmente bem para ambos os tempos antigos e modernos. É uma história que se originou quando o Mahayana estava se integrando ao tantra, formando de forma definitiva o que se tornou o Vajrayana na Índia. É emblemática a onda de histórias que se seguiu sobre mulheres poderosas que se valorizavam como mulheres dentro budismo. Muitas das histórias daquela época na Índia (cerca de 700-800 DC), dizem-nos o que estava acontecendo tanto sociologicamente na cultura, e na forma de desenvolvimento no Vajrayana. Durante este período, pela primeira vez, o budismo tinha mulheres ensinando homens. Foi também a aurora de budas femininos e do princípio da sabedoria feminina, que começou com Prajnaparamita, a “Mãe de Todos os Budas”, no período do Mahayana.
A história nos diz que Tara era uma princesa chamada Lua de Sabedoria, que era muito dedicada ao dharma e tinha uma prática de meditação profunda. Ela estava perto da iluminação, elevando a intenção de alcançar a iluminação para o benefício de todos os seres, quando um monge se aproximou dela e disse que era uma pena que ela estivesse no corpo de uma mulher, porque ela teria de voltar como um homem para que ela pudesse se iluminar. A princesa respondeu de forma brilhante, demonstrando sua compreensão do vazio e da verdade absoluta, dizendo: “Aqui não há homem; não há mulher, nenhum eu, nenhuma pessoa, e não há consciência. Rotular “masculino” ou “feminino” é vazio. Oh, como tolos mundanos iludem  a si mesmos.”(Taranatha, Origem do Tara Tantra).
Então ela fez o seguinte voto: “Aqueles que desejam atingir a iluminação suprema no corpo de um homem são muitos, mas aqueles que desejam servir aos objetivos dos seres no corpo de uma mulher são poucos na verdade; portanto, possa eu, até que este mundo seja esvaziado, trabalhar para o benefício dos seres sencientes no corpo de uma mulher. “
Daquele momento em diante, a princesa se dedicou a realizar a iluminação completa. Uma vez que ela atingiu esse objetivo, ela passou a ser conhecida como Tara, a Libertadora. Eu gosto de dizer que Tara é a primeira “Mulher Libertária” e que Tara Verde é a líder espiritual do Partido Verde, guardiã da floresta, de ação rápida e compassiva, com um pé no mundo e um pé na meditação; um lugar onde muitos de nós nos encontramos.
Tara Verde
Como praticante do budismo, eu não penso em mim em termos de gênero. Eu tento cortar tais conceitos e repousar na verdadeira condição da luminosa, não-nascida e incessante vacuidade, a base do ser. No entanto, tenho continuado a estar comprometida com o ressurgimento do sagrado feminino na tradição budista. Eu não vejo qualquer conflito ou dissonância nestes dois pontos de vista. Este compromisso se manifestou no Mandala Tara, o meu centro de retiro no sul do Colorado, onde nós construímos um templo mandala de três andares dedicado às vinte e uma Taras, todos os vários aspectos do iluminado feminino. O interior do templo é a casa de estátuas douradas em tamanho natural destas Taras circundando ao nível do solo, semelhante aos templos antigos das deusas da Índia.
Tendo vindo de uma família de mulheres realizadas que foram respeitadas e valorizadas em igualdade aos homens, eu nunca senti que havia certas coisas que uma mulher não podia ou não deveria fazer. Então, quando comecei a estudar com os tibetanos, em 1967, eu não tinha nenhuma consciência particular de preconceitos de gênero. Depois da minha ordenação por Sua Santidade o Décimo Sexto Karmapa, em Bodhgaya em janeiro de 1970, eu parti em minha vida como uma monja budista. Devido a falta de traduções disponíveis, eu tinha apenas uma ideia geral dos votos que eu tinha tomado, e vivi alegremente inconsciente das desigualdades históricas entre monges e monjas por vários anos.
Eu havia sido ordenada como sramanerika (getsulma em tibetano), ou iniciante, com apenas trinta e seis votos, e não aprendi até mais tarde que o Buda tinha dado regras adicionais de disciplina para mulheres totalmente ordenadas. De acordo com algumas tradições Vinaya há 311 votos para mulheres bhiskunis totalmente ordenadas, ou gelongma, em comparaçãoà 227 votos para os homens que se tornam bhikshus. Muitos dos votos extras tem a ver com a subordinação das monjas aos monges.
De acordo com as histórias do Vinaya, Gautama Buda se recusou a admitir mulheres para a ordem monástica várias vezes antes de finalmente concordar em fazê-lo a pedido persistente de sua madrasta, Mahaprajapati, e a forte intervenção de seu primo Ananda em seu nome. Mahaprajapati não era qualquer mulher pedindo para se tornar uma monja. Ela era irmã de sua mãe, e tinha cuidado e criado o Buddha a partir do momento da morte de sua mãe, logo depois que ele nasceu. Quando ele abriu a Sangha para as mulheres, é dito que o Buda também tornou mais difícil para elas serem ordenadas e fez subordinarem-se a todos os monges. Supostamente, ele também previu que a admissão de mulheres para a Sangha iria encurtar a vida da Sanga por 500 anos. No entanto, não se sabe se essas histórias são historicamente precisas ou se, como alguns estudiosos budistas sugerem, elas foram escritas posteriormente por monges androcêntricos e patriarcais.
Para o crédito dos meus professores, em meus primeiros dias como uma monja eu nunca senti quaisquer tendências misóginas e tinha plena confiança de que eu teria acesso completo aos ensinamentos sempre que eu estava pronta para o próximo passo. Meu primeiro despertar para o sexismo no budismo veio quando eu fui assistir a uma série de três meses de iniciações na Índia dada por Dilgo Khyentse Rinpoche em Tashi Jong perto de Dharamsala, em 1973. Quando Ani Jinpa, uma monja holandesa, e eu estavamos procurando nos sentar, foi-nos dito que tínhamos que sentar atrás de todos os monges, incluindo os recém-ordenados pequenos monges de seis anos de idade, que ainda não sabiam ler. Fiquei surpresa e um pouco decepcionada com a minha religião adotada. Durante três meses, nós nos sentamos bem na parte de trás do templo, espremidas entre os monges crianças e os leigos que conversavam constantemente cercado por seus filhos. Isso me fez pensar.
Nesse mesmo ano, eu decidi entregar meus votos – não por causa do sexismo que eu vi no budismo, mas porque eu não podia ver nenhum futuro para mim mesma como uma monja. Eu era a única monja budista na tradição tibetana na América, que era onde eu estava tentando viver e estudar com Chögyam Trungpa. Em um ponto, eu perguntei à Trungpa Rinpoche sobre um texto a respeito do princípio feminino no budismo, e ele me deu um grande volume tibetano sobre o Prajnaparamita. Eu nunca consegui fazer nada com este texto, porque eu estava prestes a me tornar mãe de três filhos.
Eu realmente me tornei interessada em olhar para as histórias de mulheres no budismo quando eu perdi uma filha, na primavera de 1980. Ela era a gêmea de meu filho Costanzo e sucumbiu à síndrome da morte súbita infantil quando tinha dois meses de idade. Depois da morte de Chiara, senti uma profunda necessidade das histórias de mulheres da minha tradição. Eu precisava saber suas vidas. As biografias dos homens não estavam me ajudando.
Eu não conseguia encontrar quaisquer histórias de mulheres, e nas poucas referências às mulheres em ‘As Cem Mil Canções de Milarepa’ li coisas como: “Por causa do meu karma pecador, me foi dado este corpo feminino inferior.” Eu não acreditava nisso.
Em 1981, viajei para a Índia e Nepal procurando biografias de grandes praticantes mulheres do Tibete. Esta pesquisa resultou em meu primeiro livro, “Mulheres de Sabedoria”. Enquanto escrevia o livro, eu viajava pela Índia e Nepal buscando por histórias de mulheres iluminadas. Depois de receber de um monge um olhar vazio quando fiz esse pedido, eu expliquei melhor o que queria e ele disse: “Oh, agora eu entendo. Você não está à procura de histórias de mulheres, você quer dizer biografias de dakinis.” Então eu percebi que sempre que uma mulher se ilumina, supunha-se que ela era uma dakini especial (personificação feminina da sabedoria) e não uma mulher comum. Uma mulher comum não se iluminaria. Na verdade, a palavra tibetana para a mulher tem um significado próximo de “nascimento inferior.”
As histórias que eu finalmente encontrei me deram força e inspiração, e as pesquisas me despertaram para uma consciência mais ampla das mulheres e questões acerca das mulheres em todo o mundo. O reequilíbrio dos gêneros, atualmente em andamento, pode ser a maior conquista deste século. Tem sido muito comovente para mim assistir este movimento avançar em várias formas por todo o planeta. Em alguns países, as velhas formas estão sendo revolucionadas, mas em outros, podemos ver resultando em repressão reacionária.
Os direitos das mulheres, da sua liberdade, segurança e proteção, são essenciais para a sobrevivência da espécie humana. Como qualquer um de nós pode prosperar se as vozes de metade da população não são ouvidas e valorizadas? Estas são as vozes das mulheres, que historicamente têm falado majoritariamente do lado da não-violência, paz e proteção da terra. E, embora muitos países têm colocado em políticas nacionais um lugar para direitos e proteção das mulheres que são consistentes com as medidas tomadas a nível internacional, é óbvio que ainda há obstáculos para a eliminação da discriminação e da violência contra as mulheres e à igualdade de gênero. Estatísticas recentes mostram que dois terços dos adultos analfabetos do mundo são mulheres, e tendências decrescentes tem se aprofundado durante durante a recente crise econômica e social global.
No entanto, nos últimos anos, tem havido um movimento em direção a igualdade de gênero dentro do budismo. O Dalai Lama tem falado cada vez mais sobre a importância de ter mulheres em cargos de liderança de governo, para que seja possível a paz na Terra. O Décimo Sétimo Karmapa prometeu fazer o que pode para restabelecer a ordenação plena das mulheres no Vajrayana. Na tradição Theravada, a ordenação completa já foi retomada.
Em uma recente conferência com o Dalai Lama para professores budistas ocidentais, as professoras preencheram mais da metade do auditório. Ao olharmos ao redor do mundo, agora podemos ver, mais do que nunca, uma maior presença de mulheres em cargos de liderança no budismo, mas ainda há um longo caminho a percorrer.
Em 22 de julho deste ano, repentinamente perdi o meu marido, David Petit, estavamos juntos a 22 anos. Ele teve uma morte especial com sinais auspiciosos, mas foi um choque para ele falecer com cinqüenta e quatro anos sem nenhum aviso. Na minha dor, eu me perguntava se eu seria capaz de escrever este texto, mas ao pensar, eu percebi que era importante expressar a profunda gratidão e apreço que sinto pelo o masculino dentro da luta pela igualdade de gênero no budismo. Na sequência de sua morte estou perfeitamente ciente do papel que o masculino positivo desempenha no equilíbrio do nosso mundo e o quão importante uma parceria profundamente respeitosa é no estabelecimento de Budismo no Ocidente. Isto é verdade não só entre parceiros em um casal, mas em nossos relacionamentos com os amigos, as famílias, os professores, os alunos, e dentro da sanga. Eu sinto que é importante reconhecer e valorizar os grandes homens que estão ativamente envolvidos em trazer integridade e igualdade para o mundo budista, bem como em honrar as muitas mulheres que lutaram e se sacrificaram para esse fim. David era a personificação de uma poderosa força masculina que realizava de tudo no Mandala Tara ao longo dos últimos 17 anos, desde os primeiros iurtas e tendas, até a nossa construção de uma comunidade, moradias, e, finalmente, a bela mandala de três andares Tara Temple. Ele também esteve ao meu lado nos bons e maus momentos, nos desafios de começar um centro e quando ocorriam ataques a mim por ser “muito feminista,” e por isso “não entender não-dualidade.” Ele me apoiou na minha posição contra a exploração sexual de mulheres por professores do sexo masculino, e protegeu as mulheres que chegaram a Mandala Tara.
A verdade absoluta do vazio de genero e a verdade relativa de uma atitude misógina histórica e real no budismo ficam lado a lado na história de Tara. Seu voto final para voltar sempre como uma mulher e para alcançar a iluminação como uma mulher mostra a sua compreensão de ambas a realidade absoluta e a relativa necessidade das mulheres serem valorizadas e tratadas com igualdade no budismo.

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 Lama Tsultrim Allione é a fundadora do centro de retiros Tara Mandala em Pagosa Springs, Colorado, e autora do livro  “Women of Wisdom” e “Feeding Your Demons”. Em 1970 ela tornou-se uma das primeiras mulheres americanas a ser ordenada no budismo tibetano.Em 2009, ela foi premiada no Outstanding Women in Buddhism Award.

Fonte:http://www.budavirtual.com.br/tara-primeira-feminista-lama-tsultrim-allione/



A Face Feminina de Buda

Por Miguel Berredo

Como as mulheres contribuem para a formação do budismo contemporâneo? E de que forma contribuíram no passado? Poderíamos dizer que se não fosse uma simples menina camponesa indiana, não haveria Buda e nem o budismo?
O príncipe Sidarta, que mais tarde  ficou conhecido como o Buda, em alguma parte de seu caminho à iluminação, se tornou um asceta muito rigoroso, praticando jejum entre outras privações. Fala-se em 80 dias sem comer nem beber nada. Os relatos dão conta de que o jovem asceta era pele e osso e que seus olhos afundaram em suas órbitas. Já sem nenhuma força, por tanto tempo em jejum, caído ao chão, quase morrendo, Sidarta foi socorrido por uma menina camponesa, que ao vê-lo naquela situação, derramou leite com mel em sua boca. Talvez isso tenha acontecido por mais alguns dias e o homem quase morto ressurgiu para uma nova etapa da sua caminhada que o levou à iluminação, o caminho do meio, além dos extremos do prazer e da negligência com o corpo.
A menina camponesa que salvou o Buda não recebeu a devida importância nessa história muito rica. Muitas mulheres trilharam esse caminho sem serem notadas. A presença da mulher no budismo merece ser revista e resgatada. De Mahaprajapati, a tia de Sidarta, que o criou e se tornou a primeira monja, passando por Yeshe Tsogyal, Magig Labdron e Alexandra David Neel, até Pema Chödron e Tenzin Palmo, entre outras grandes mestras do passado e do presente, do Ocidente e do Oriente.
O budismo no Ocidente ainda é recente. O renomado historiador britânico Arnold Toynbee, falecido em 1975, afirmou que a chegada do budismo no ocidente foi o maior evento do século XX. Junto com esse fenômeno, acontece também uma maior inserção da mulher dentro de um novo contexto e paisagem. A presença da mulher é muito bem vinda, areja e amplia as perspectivas. Um fenômeno do budismo ocidental é a forte presença feminina, há monjas, mestras e alunas, em igual ou maior número que homens. Nos Estados Unidos muitas mestras.
No Brasil, estamos no tempo de Chagdud Khadro, das lamas Tsering, Sherab e Yeshe, das Monjas Coen, Isshin, Reverenda Yvonette Gonçalves, Ani Zamba, Tenzin, Namdrol, Jigme Choedzin e ainda de Tiffani Gyatso, com a sua arte tibetana, de Melissa Flores, cineasta que filmou “Yatra” nos locais sagrados de Buda, de Maria Theresa Barros, psicanalista, que da sua tese de doutorado fez o livro – O Despertar do Budismo no Ocidente, de Isabelas, Marianas, Marias e Anas que com um colo maternal cantam para despertar o Buda que está em cada ser.
Essa presença no budismo pode nos ajudar na construção de uma sociedade mais feminina, na medida que o budismo começa a dialogar com os diversos setores da sociedade, educação, ciência, medicina, psicologia, nos lembrando das qualidades de uma mãe que acolhe e protege sem impor condições.
A verdadeira presença feminina deve se dar tanto na construção ativa da sociedade como na manifestação das qualidades como compaixão, cuidado, acolhimento, proteção e amor. Embora essas qualidades não sejam restritas ao gênero feminino, as mulheres podem ajudar a construir um mundo mais justo e equânime.
Sua Santidade o Dalai Lama diz que de fato o que rege o mundo não é a economia e sim a compaixão. Se não houvesse alguém para nos acolher, alimentar e aquecer quando nascemos, ninguém estaria aqui. Para que os valores femininos tenham a devida importância precisamos olhar para eles, dar atenção, empoderá-los, se não eles passarão desapercebidos e não avançaremos enquanto civilização. Sua Santidade também afirmou em um encontro pela paz, em Vancouver, Canadá, em 2009: “O mundo será salvo pela mulher ocidental”. Um novo paradigma passa pela valorização do princípio feminino.
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Texto: Miguel Berredo
Edição de texto: Liane Alves
Ações que apoiam e preservam a memória da mulher no budismo:
Michael Ash (foto do post) criou o Yogini Project que apoia as mulheres no Dharma e preserva a memória da presença feminina. Confira o bela fotografia de Michael em Oddiyan’s Gate e em Dharma Eye, projeto de um grupo de fotógrafos budistas que beneficia e preserva a prática e memória do Dharma.
Michaela Haas, jornalista internacional, palestrante e consultora, escreveu Dakini Power, livro que conta a história de 12 mestras do budismo contemporâneo. Assista um breve vídeo sobre o livro.

Fonte:http://bodisatva.com.br/a-face-feminina-de-buda/


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