Pular para o conteúdo principal

RECITANDO MANTRAS COM MONGES BUDISTAS - CHARLES ZIMMERMANN

Resultado de imagem para RECITANDO MANTRAS COM MONGES BUDISTAS - CHARLES ZIMMERMANN
Recitando mantras com monges budistas
Viajar para a China, nas províncias próximas ao Tibete é ter experiências tibetanas sem estar literalmente dentro do Tibete. Numa oportunidade, por quatro noites dormi em monastérios budistas, localizados junto a pequenos povoados, nos quartos destinados aos peregrinos. Foi cada noite em um monastério diferente. As cobertas enchidas de pena de marreco, os travesseiros, pesados ao ponto de nocautear uma pessoa num golpe bem dado. Dentro deveriam ter alguma fibra seca misturada com penas de marreco. O custo em se hospedar num monastério é uma contribuição espontânea depositada numa caixinha em madeira mantida na recepção.
Cinco da manhã ouve-se sinos nos monastérios: gom, gom, gom, gom, gom, gom, – são os monges, de túnica marrom-avermelhada e cabeça raspada iniciando suas preces. Todos caminham em direção ao templo, munidos de uma xícara de chá com manteiga de iaque – uma bebida de saber forte, oleoso e salgado. Iaque é um gado peludo típico das Himalaias. Nessa viagem, todos eram marrons ou negros, desses alguns tinham manchas brancas. A qualquer hora do dia o odor defumado do chá-preto, mesclado ao aroma das velas de manteiga de iaque: típico dos monastérios budistas. São jovens monges que recebem, apresentam o quarto, apresentam as instalações. Eles ficam numa salinha, ao lado de uma sala com camas e com homens sentados em frente a um forno a carvão. Essa sala é destinada a polícia chinesa. Os policias se revezam em grupos e movem-se á paisana.
No interior dos monastérios a movimentação de grupos de cinco, dez peregrinos que chegam a pé, em motos, em carros e em ônibus. Uma senhora idosa gira uma roda de orações e balbucia mantras, outras duas queimam galhos de pinheiros, homens de meia idade sentados sobre espessos tapetes. Em todos os monastérios no centro há um pátio a céu aberto onde mergulha a luz solar. Um grupo que chegou naquele instante atirava moedas e grãos de cevada nos relicários espalhados pelo pátio afora.
Eletricidade gerada por um gerador a gasolina, nos mosteiros, somente nas duas horas da janta e na hora da manhã, para as orações. A sala de jantar com a cozinha é dividida por uma janela. Dessa janela, vejo dois caldeirões de ferro enormes, de um a dois metros de diâmetro, que estão incrustados em um fogão a carvão de pedra. De pé, ao lado dos caldeirões, um monge vestindo um avental imundo, despedaça nacos de manteiga de iaque dentro dos caldeirões de chá fervente. Para esses povos de origem tibetana: chá é vida. Os monges há séculos consomem a bebida para se manter despertos nas meditações.
A janta é servida, a sala é a mesma que os monges comem, porém, eles possuem área reservada. Faço o que todos fazem: misturo chá com tsampa, uma farinha de cevada tostada. E como o que todos comem: lascas de carne seca de iaque, sopa de nabos e arroz grudento. Um monge idoso senta ao meu lado sem pronunciar uma palavra: segurava uma caneca com chá e encostava seu nariz na página de meu caderno, maravilhado com a forma que eu escrevia; por ser diferente da forma que os chineses escrevem. Outro monge mais jovem também aparece, não falam em inglês. Nenhum monge do monastério fala em inglês. Esse coloca as mãos nos diversos bolsos de sua túnica e puxa de um dos bolsos uma folha amarelada e com manchas mais escuras, provavelmente provocadas por chá. Nessa folha, abaixo de escritos em mandarim, no rodapé, uma frase em inglês: “civilização não significa somente desenvolvimento material. Significa sermos capazes de se desenvolver, de chegar mais perto de Buda”.

Charles Zimmermann,14-08-2014
Fonte:http://ocponline.com.br/noticias/recitando-mantras-com-monges-budistas/

Postagens mais visitadas deste blog

5 PRECEITOS BUDISTAS PARA ENCONTRAR A PAZ INTERIOR

5 Preceitos Budista para encontrar a paz interior

DALAI LAMA: ATRÁS DE NOSSA ANSIEDADE ESTÁ O MEDO DE NÃO SER NECESSÁRIO

DALAI LAMA: ATRÁS DE NOSSA ANSIEDADE ESTÁ O MEDO DE NÃO SER NECESSÁRIOO medo de não ser necessário é um dos maiores causadores de tristezas no ser humano.  De muitas maneiras, nunca houve um melhor momento para estar vivo. A violência assola alguns cantos do mundo, e muitos ainda vivem sob o domínio de regimes tirânicos. 

E embora todas as grandes religiões do mundo ensinem amor, compaixão e tolerância, a violência impensável está sendo perpetrada em nome da religião.
E ainda assim, poucos dentre nós são pobres, cada vez menos pessoas tem fome, menos crianças morrem e mais homens e mulheres sabem ler do que nunca. 

Em muitos países, o reconhecimento dos direitos das mulheres e das minorias é agora norma. Ainda há muito trabalho a fazer, é claro, mas há esperança e há progresso.
Quão estranho, então, ver tanta raiva e grande descontentamento em algumas das nações mais ricas do mundo. 

Nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e em todo o continente europeu, as pessoas são convulsionadas com frustraçã…

ESCUTA COMPASSIVA - THICH NHAT HANH ENTREVISTADO POR OPRAH WINFREY (VÍDEO LEGENDADO EM PORTUGUÊS)

Thich Nhat Hanh entrevistado por Oprah Winfrey - Escuta Compassiva - LEGENDADO

Thich Nhat Hanh diz que ouvir pode ajudar a terminar com o sofrimento do outro, colocar fim a uma guerra e mudar o mundo para melhor. Assista a ele explicar como praticar a escuta compassiva.




Quem SomosNós somos um grupo de meditação budista e estudo dos textos do mestre Zen Vietnamita Thich Nhat Hanh.  Nos reunimos semanalmente nas 3a feiras das 19:30hs às 21:00hs, na Rua Jornalista Orlando Dantas, n. 5 no Flamengo - Rio de Janeiro. Clique aqui para ver o mapa. Todos estão convidados a participar conosco da nossa prática de plena consciência segundo os métodos ensinados por Thich Nhat Hanh e detalhada no quadro ao lado. Mesmo os que nunca meditaram ou têm pouca experiência estão convidados. Aos iniciantes serão dadas instruções antes do início da prática. Por isso sugerimos que os iniciantes cheguem 15 minutos antes do início. Semanalmente estudamos um texto de Thich Nhat Hanh. Para conhecer o texto dessa semana…