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O CONCEITO DA IMPERMANÊNCIA NO BUDISMO E NA PSICANÁLISE


Anicca (traduzido do páli, "impermanência". Lê-se /anit-txá/.1 ) é um dos conceitos essenciais para a descrição do universo segundo o budismo (junto com dukkha e anatta, compõe as três marcas da existência). Diz respeito à constante mutação de todas as coisas que compõe o universo. Compreender a impermanência é de extrema importância dentro do contexto budista. Assim como as quatro nobres verdades são reconhecidas por todas as escolas budistas, a impermanência é um ensinamento presente em todas as linhagens.

Descrição

Basicamente, todos os fenômenos são impermanentes. Entenda-se por fenômeno qualquer ideia de existência, seja de um "eu", de um "outro", de um "objeto", de uma "experiência" etc. Os fenômenos são impermanentes devido à sua natureza composta, ou seja, existem a partir de causas e condições. Quando as causas e condições cessam, o fenômeno cessa também.
Os relacionamentos cessam, os governos, os países, as empresas... todos cessam, mudam o tempo todo, pois dependem de outros fatores, que, por sua vez, também são compostos e assim sucessivamente.
Podemos perceber a impermanência operando em nossas vidas diariamente. Contemplar isso é de extrema utilidade, pois faz cessar o nosso apego exagerado, o nosso "agarrar" exagerado.

Referências

  1. Ir para cima Darmapada: a doutrina budista em versos. Tradução de Fernando Cacciatore de Garcia. Porto Alegre, RS. L&PM Editores. 2010. p. 23.

Ligações externas


Dukkha (traduzido do páli, "sofrimento". Lê-se /dúk-kha/, com o h aspirado, como no inglês.) é um dos princípios fundamentais do budismo. É chamado de "a primeira nobre verdade" e diz que o sofrimento é uma característica básica do universo, sendo causado pela transitoriedade e insubstancialidade de todos os fenômenos.1

Os três tipos de sofrimento

Há três tipos básicos de sofrimento2 :
  1. Dukka Dukkata, o sofrimento comum da dor, os Devas não experienciam este sofrimento.
  2. Viparinama Dukkata, o sofrimento da mudança, se afastar do belo ou se aproximar do feio.
  3. Sanskara Dukkata, o sofrimento intelectual, a tentativa existencial e angustiante de procurar filosofias, ideias, padrões, códigos, regras, dogmas, postulados ou teorias verdadeiras, estéticas, estáveis, eternas, universais, concisas e gerais.

Bodisatva Sidarta Gautama ainda sofre antes de se tornar um Budacompletamente realizado, nesta figura, o vemos com seus cinco companheirosascetas, que posteriormente se tornaram a primeira comunidadebudista humana, e um Deva em azul.

Os seis tipos de sofrimento

Todos os bondosos seres dos seis reinos do samsara passam pelos seis tipos de sofrimentos que são as consequências de uma mente não iluminada3 :
  1. O sofrimento das dúvidas e incertezas
  2. O sofrimento de não se conseguir obter tudo o que é desejado
  3. O sofrimento de ter que continuamente mudar de corpo
  4. O sofrimento do nascimento
  5. O sofrimento de subir e descer, melhorar e piorar, alegrar-se e entristecer
  6. O sofrimento da morte

Descrição

Muitas vezes, a primeira Nobre Verdade proferida por Buda Shakyamuni após sua iluminação é traduzida como "A vida é sofrimento", ou "Existe sofrimento", sempre indicando a natureza sofrida da vida. Em um primeiro momento, esse ensinamento pode parecer demasiado pessimista e deprimente.
Mas isso se deve à tradução simplista do termo: na verdade, a primeira Nobre Verdade diz respeito à dukkha', que não tem uma tradução literal, mas sim é todo um conjunto de ideias.
De uma maneira geral, dukkha diz respeito ao nosso condicionamento de vida dentro de experiências cíclicas, onde nos alternamos entre boas experiências (felicidade) e más experiências (sofrimento). Todos os seres buscam a felicidade e procuram se afastar do sofrimento: no entanto, nessa busca de felicidade e dentro da própria felicidade encontrada estão as sementes de sofrimentos futuros.
Podemos pensar da seguinte maneira: sofremos porque não temos algo; sofremos porque conseguimos algo e temos medo de perder; sofremos porque temos algo que parecia bom, mas agora não é tão bom assim; e sofremos porque temos algo que queremos nos livrar e não conseguimos. Podemos ver, então, que mesmo que tenhamos sucesso na nossa experiência de felicidade, ela mesma pode se tornar causa de uma experiência de sofrimento.
Além disso, as experiências são impermanentes, as ideias, os conceitos, os pensamentos, tudo é impermanente, muda. Por isso, dentro da experiência de felicidade, existe a causa de uma experiência de sofrimento, pois ela também é impermanente e irá mudar.
Então, dukkha representa todo esse ciclo, e a insatisfação que nunca será saciada enquanto seguirmos esse ciclo.
É necessário enfatizar que todos os vários aspectos de dukkha de fato tem sua origem em causas, o que assim possibilita sua investigação e, portanto, seu término. Ao encontrar as causas-raiz de dukkha e destruí-las, a vida humana pode se tornar feliz e próspera.4

Referências

  1. Ir para cima Darmapada: a doutrina budista em versos. Tradução de Fernando Cacciatore de Garcia. Porto Alegre, RS. L&PM Editores. 2010. p. 21.
  2. Ir para cima The Great Treatise on the Stages of the Path to Enlightenment: The Lam Rim Chen Mo by Tsong Khapa. Translated by the Lamrim Chenmo Translation Committee. Snow Lion/Shambhala Publications.
  3. Ir para cima Liberation in the Palm of Your Hand: A Concise Discourse on the Path to Enlightenment by Pabongka Rinpoche / Trijang Rinpoche. Translated by Michael Richards. Wisdom Publications. Click here to download a PDF of 100 pages of excerpts, including the multiple introductions and appendixes, extensive Lamrim outline, and first chapter “Introductory Discourse on the Lamrim”; courtesy of Wisdom Publications. - The official website of the Jangchup Lamrim Teachings by His Holiness the 14th Dalai Lama of Tibet
  4. Ir para cima GYATZO, Tenzim. O Despertar da Visão da Sabedoria. Brasília: Ed Teosófica, 1999.

Ligações externas


Anatta (em páli. Lê-se /anat-tá/.) ou anatman (em sânscrito) é um dos conceitos básicos da doutrina budista. Significa, literalmente, "não eu". Diz respeito à inexistência de um "eu" permanente e imutável nos elementos que compõe o universo, ou seja, descreve a insubstancialidade de todos os fenômenos do universo.1

Descrição

De acordo com o budismo, todas as coisas componentes ou condicionadas são impermanentes e estão em constante "estado de fluxo". Segue-se, daí, a ideia de "não eu" (anatta), que nega a existência de uma essência pessoal imutável e independente - em oposição à doutrina hinduísta de atman.
Os budistas afirmam que a noção de um "eu" permanente é uma das principais causas das guerras e conflitos na história humana e que, vivendo de acordo com a noção de anatta ou não eu, podemos ir além de nossos desejos mundanos. Na linguagem cotidiana, fala-se em "alma", "eu" ou "self". Nos meios budistas, porém, existe o entendimento de que nós somos interdependentes e cambiantes, em vez de personalidades independentes e imutáveis.
Segundo a concepção budista, na morte, corpo e mente se desintegram, mas, se a mente desfeita contém quaisquer resíduos cármicos, ela causa uma continuidade de consciência que reverbera em uma mente nascente em outro ser (ou seja, em um feto em desenvolvimento). Portanto, o ensinamento budista é que seres renascidos não são completamente distintos nem completamente iguais a seus antecessores.
Essa noção contrasta com o conceito hinduísta de atman, que seria o ser que reencarna, representando a mais elevada centelha divina em cada ser humano. O pensamento budista nega essa ideia. Tanto o budismo quanto o hinduísmo concluem que há continuidade entre vidas. No entanto, suas doutrinas sobre o que continua de uma vida para outra divergem: no hinduísmo, há um "eu" transcendente (atman); no outro, há apenas tendências e processos mentais que renascem.

Referências

  1. Ir para cima Darmapada: a doutrina budista em versos. Tradução de Fernando Cacciatore de Garcia. Porto Alegre, RS. L&PM Editores. 2010. p. 23.

Ver também

Ligações externas


    Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/


    A Impermanência (Shaku Dōken)





    No Buddhismo é dito que a Existência Cíclica (samsara) é caracterizada pela ImpermanênciaInsatisfação ou 
    Sofrimento e pelo Não-Eu.

    O Buddha disse:

    Por mais firmemente que vocês se agarrem,
    não podem permanecer.

    Qual a vantagem de ficar assustados e com medo
    do que é inalterável?



    "Todos os fenômenos compostos são impermanentes,"

    Este é o primeiro selo dos quatro selos do Dharma Buddhista. A familiarização com este selo é de fundamental importância para prática budista, visto que, a impermanência é uma marca de todos os fenômenos compostos, uma característica do mundo Saha, inevitável e fundamental.

    O Buddha dizia:

    As pessoas não sofrem pelos fenômenos serem impermanentes,
    sofrem por desejarem que aquilo que é impermanente seja permanente.


    Deste modo, devemos observar a cada instante a impermanência, as mudanças cíclicas e não simplesmente sermos carregados pelas sensações que emergem com elas.

    Segundo o Lama Padma Samten nossa mente funciona como uma criança em uma roda gigante, quando sente prazer é como se estivesse no alto da roda e gostaria que ela parasse, quando percebe o sofrimento é como se estivesse na parte baixa da roda e gostaria que ela acelerasse. Mas na realidade são apenas movimentos da roda, são cíclicos e interdependentes, um necessita do outro para existir e ambos necessitam de alguém para serem percebidos e interpretados.

    Mestre Chagdut Tulku Rinpoche disse:

    "Um dos melhores métodos para desenvolver prática espiritual pura é meditar continuamente sobre a impermanência."

    As mudanças são contínuas. Dia-a-dia, uma estação corre para a próxima. O dia vira noite, a noite, dia. Prédios não ficam velhos de repente; na realidade, a cada segundo, desde o momento em que foram construídos, começam a deteriorar. Vemos também a ação da impermanência em nossos relacionamentos. Quantos de nossos familiares, amigos, pessoas de nossa cidade natal morreram? Quantos se mudaram para outros lugares, desaparecendo de nossa vida para sempre?

    A um tempo, sentíamo-nos felizes apenas ao estar junto de uma pessoa amada. Só segurar a mão daquela pessoa nos provocava sentimentos maravilhosos. Agora, talvez não possamos aturá-la, não queiramos saber coisa alguma sobre ela. Tudo o que se forma tem que se desfazer, tudo o que se junta tem que se separar, tudo o que nasce tem que morrer. Mudanças contínuas, mudanças implacáveis, são constantes em nosso mundo.

    Se vivermos a duração normal de uma vida e tivermos uma morte natural, ficaremos mais e mais enfraquecidos, até que, um dia, não conseguiremos mais sair da cama. Talvez não seremos capazes de nos alimentar, de evacuar ou de reconhecer as pessoas à nossa volta. Em um dado momento, morreremos, nosso corpo uma casca vazia, nossa mente vagando pela experiência do pós-morte. Este corpo, que foi tão importante por tanto tempo, será queimado ou enterrado. Pode mesmo vir a ser devorado por animais selvagens ou pássaros. Em um dado momento, nada restará para fazer lembrar aos outros que um dia estivemos aqui. Nós nos tornaremos nada mais do que uma lembrança.

    Como o corpo e a mente, nossa fala está constantemente mudando: cada palavra que enunciamos se perde; uma outra se apressa para substituí-la. Não há nada que possamos apontar que seja imutável, estável, permanente.

    Precisamos incutir em nós mesmos uma consciência contínua da impermanência, que esteja viva momento a momento. Isso porque a vida é uma corrida contra a morte, e a hora da morte é desconhecida. Contemplar a aproximação da morte muda as nossas prioridades e nos ajuda a abrir mão do nosso envolvimento obsessivo com coisas ordinárias. Se permanecermos sempre conscientes de que cada momento pode ser o nosso último, iremos intensificar a nossa prática para não desperdiçarmos nem fazermos mal uso da nossa preciosa oportunidade humana. À medida que amadurece a contemplação dessa verdade, será fácil apreendermos os mais elevados, os mais profundos ensinamentos buddhistas. Vamos ter alguma compreensão de como funciona o mundo, como as aparências surgem e se transformam. Vamos passar de um mero entendimento intelectual da impermanência para a compreensão de que todas as coisas sobre as quais baseávamos nossa crença na realidade são apenas um cintilar de mudança.

    Começaremos a ver que tudo é ilusório, como um sonho ou uma miragem. Embora os fenômenos apareçam, na verdade nada estável está de fato presente.

    Então, poderíamos perguntar, o quê terá utilidade para nós quando morrermos? Não importa quão agradáveis ou simpáticos as pessoas pensem que somos; depois que estivermos mortos, elas não vão querer o nosso corpo por perto. Nem serão capazes de ir conosco, não importa quem sejam ou quão felizes nos fizeram. Temos que morrer sós. Isso é verdade mesmo se formos famosos, mesmo se formos tão ricos quanto o próprio deus da prosperidade. Na hora da morte, toda a riqueza que acumulamos, todo o poder, status e fama que conseguimos, todos os amigos que reunimos — nenhuma dessas coisas nos será de valia. Nossa consciência será extraída do ambiente em que estivermos de forma tão cirúrgica quanto um fio de cabelo de um bloco de manteiga. A única coisa que irá nos beneficiar será nossa prática do dharma; a única coisa que nos seguirá na morte será nosso karma positivo e negativo. Nada mais."

    Shaku Dōken
    Fonte:http://bloggdoteosofista.blogspot.com.br/2011/06/impermanencia-shaku-doken.html


    O conceito de impermanência no Budismo e na psicanálise

    Alexandre Esclapes

    Bion seguindo Freud tanto a partir de 1895 no “Projeto” quanto em 1911 com “As duas formas do acontecer psíquico” vai se preocupar com a apreensão da realidade. Influenciado pelos conceitos kleinianos, em textos como “O aprender com a realidade” e “Transformações” vai trabalhar com conceitos como “invariante”, “O”, entre outros, numa clara aproximação tanto de Kant quando do Zen Budismo. O presente artigo não pretende trabalhar os conceitos básicos de Bion mas fazer uma articulação entre alguns deles e o Budismo.
    Um dos conceitos mais fundamentais da prática psicanalítica em Bion, a saber, o de invariância – termo emprestado da química, que para Bion indica um pensar que “não varia”, que de alguma forma está congelado. Pode-se entender que um pensamento que não varia se apresentaria “doente”, o que seria causa de sofrimento psíquico.
    Bion também vai colocar que o pensamento, está assentado em formas mais primitivas de funcionamento psíquico, dependente de estruturas e formas de funcionar, como as funções alpha e Beta, e que o pensamento lógico está assentado nessas outras estruturas. Fundamentalmente segue Freud quando diz que o Eu não é o dono na sua própria casa, ampliando as estruturas consideradas inconscientes.
    Pode-se agora partir para um possível entendimento dos conceitos budistas de impermanencia e onisciência. O primeiro conceito é estritamente ligado ao da variância do mundo – nada é permanente ao longo do tempo, e em algumas leituras desse conceito, nada é permanente mesmo quando se retira o conceito de tempo. Causas e condições variam constantemente e o seu resultado, portanto, também varia. A aquisição desse conhecimento dentro da tradição budista estaria ligada a correta percepção da realidade – aqui entra o conceito de onisciência. Não se pode confundir onisciência com aquele que tudo sabe, um dos atributos de uma deidade judaico-cristã, mas de uma capacidade de perceber o aqui e agora em sua plenitude.
    Algumas tradições budistas dão grande ênfase a esse caráter da onisciência, aproximando esse conceito ao de “plena atenção”.  A plena atenção possibilitaria ao seu praticante perceber a impermanencia do mundo e assim se libertar de apegos àquilo que em sua essência é variante, e, portanto, causa de sofrimento.
    Apesar das duas visões serem muito parecidas, o fato de se introduzir o elemento inconsciente no processo causa grandes modificações na possibilidade de se atingir a percepção da variância do mundo.
    A primeira delas é que a apreensão da realidade se dá para Bion, como na tradição psicanalítica,  de dentro para fora. Sem um aparelho para pensar, não existe pensamento. Paradoxalmente, um pensamento está à procura de um pensador. Em outras palavras, o mundo se torna invariante porque a realidade psíquica se torna invariante. Nas pegadas de Winnicott o real é um objeto transicional, nunca chegando a ser puramente real.
    Um desafio nessa visão psicanalítica se dá a partir da angustia que a variância causa. O ser, o Eu, por definição é uma estrutura invariante – se modifica ao longo do tempo longo, mas no curto e médio espaço de tempo, se mantém mediamente constante. A completa variância das estruturas psíquicas, portanto causam profunda ansiedade, uma vez que ameaçam o acontecer do Eu no tempo. Se essa angústia for por demais insuportável, um congelamento das estruturas psíquicas acontece, o aprender com a experiência é prejudicado, quando não impedido, e ataques a percepção de uma realidade impermanente são postas em andamento.
    Pode-se pensar que a impermanencia seja um dos conceito chave tanto para o budismo como para a psicanálise a partir de Bion, com talvez uma diferença de enfoque – na tradição budista a “plena atenção” traria uma visão correta da impermanencia, enquanto para Bion, a “plena atenção” seria uma aquisição emocional da modulação das ansiedades envolvidas nesse processo, e somente a partir dessa modulação, seria possível o processo de “atenção plena”. A diferença chave aqui é que em casos onde o aparelho psíquico, ou aparelho para pensar não esteja disponível para receber o pensamento, não basta “desejar” a “plena atenção”, ou “treinar” a “plena atenção”, pois não existe tal aparelho para isso.
    Talvez aqui resida o fato de que nos casos onde o processo meditativo não surta os efeitos desejados dentro da tradição budista, a inveja primária, o abandono antropológico, o ódio e principalmente as ansiedades de despersonalização supra citadas evocadas pela prática meditativa como efeito colateral, podem trazer em alguns indivíduos, de um lado transformar a prática em um impasse, levando o seu praticante a desistir da mesma. Ou de outro modo, criar um falso self (Winnicott), um mais adequado à pratica budista e à inserção na comunidade, mas que no fundo esconde estruturas de caráter psicótica, cujo equilíbrio psíquico pode ser facilmente balançado, ou com o passar do tempo, demonstrar que o que se via não eram mudanças verdadeiras, mas falsas.
    Pode-se concluir que em indivíduos onde o sentimento de inveja primária seja muito pronunciado, bem como ansiedades de despersonalização, a prática meditativa sem acompanhamento psicanalítico é desaconselhável, pois pode se criar nesses casos no mínimo um impasse na estrutura psíquica do praticante, o que na maioria dos casos pode levar a desistência da prática, mas em alguns casos mais graves ser uma regressão a este estágio psicótico com todas as conseqüências para o aparelho de tal regressão.
    A mesma lógica pode ser seguida para pacientes que estão em tratamento psicanalítico onde os objetivos sejam parecidos. Dependendo do manejo que o terapeuta faça, como o trabalho sobre a  impermanencia (ou melhor variância) no aparelho psíquico do paciente, as conseqüências podem ser idênticas. A apresentação da realidade (plena atenção) é um para os casos neuróticos, mas precisa de adaptações para os casos psicóticos, ainda que o objetivo seja os mesmo. Confundir isso pode provocar sérios retraimentos ou mesmo impasses no tratamento, com eventuais abandonos ou internações desnecessárias.
    Fonte:http://www.monjacoen.com.br/textos-budistas/textos-diversos/309-o

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