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COMO A MEDITAÇÃO BUDISTA DESBLOQUEIA NOSSA SABEDORIA E COMPAIXÕES NATURAIS


COMO A MEDITAÇÃO BUDISTA DESBLOQUEIA NOSSA SABEDORIA E COMPAIXÕES NATURAIS


Em um artigo intitulado “How Buddhist Meditation Unlocks Our Natural Wisdom and Compassion” (Como a Meditação Budista Desbloqueia Nossa Sabedoria e Compaixão Naturais), publicado originalmente no The Huffington Post, o lama budista Sogyal Rinpoche, explica como é primordial entender a mente e transformá-la, buscando compreender sua verdadeira natureza. Com sua extrema habilidade de trazer os ricos ensinamentos budistas para a linguagem atual, Sogyal Rinpoche desmistifica o Samsara e o Nirvana, dois conceitos fundamentais do Budismo, cita o mestre tibetano Tulku Urgyen Rinpoche (1920-1996) — numa frase que lembra muito outra do psicólogo suíco Carl G. Jung — e explica e ensina preliminarmente a meditação na tradição budista do Tibete, prática central do Budismo.
Não é impressionante constatar, depois de ler um artigo como esse, o quanto tempo e energia dedicamos à simples ação de externalizar constante e ininterruptamente a mente, a todo momento, dia após dia? 
Segue a tradução de um trecho.

COMO A MEDITAÇÃO BUDISTA DESBLOQUEIA NOSSA SABEDORIA E COMPAIXÃO NATURAL 

Por Sogyal Rinpoche

“Nos ensinamentos de Buda está dito que nós todos somos naturalmente dotados de sabedoria ilimitada, compaixão incomensurável e força ou capacidades infinitas. Ainda assim, porque nós perdemos contato com essas qualidades interiores, raramente vamos além da superfície do potencial que temos. Quando entramos em contato com nossa verdadeira natureza, entretanto, podemos ser verdadeiramente úteis e benéficos — não somente para nós mesmos e para nossos melhores interesses, mas também para os outros e suas necessidades. 
Por isso, primeiro, para ajudar verdadeiramente os outros, devemos ajudar a nós mesmos. Como diz a tradição Cristã: “A caridade começa em casa”. Podemos começar, antes de tudo, conhecendo nossa mente. Na verdade, o ensinamento inteiro do Buda pode ser resumido e uma única linha: domar, transformar e conquistar essa nossa mente.
A mente é a raiz de tudo: o criador da felicidade e o criador do sofrimento; o criador do que chamamos de nirvana, e do que chamamos de samsara. O samsara é o ciclo da existência, de nascimento e morte, caracterizado pelo sofrimento e determinado por nossas emoções destrutivas e nossas ações prejudiciais. O nirvana é, literalmente, o estado além do sofrimento e infortúnio; podeser dito que é o estado de buda ou a própria iluminação.
Como um grande mestre diz:
“Samsara é a mente voltada pra fora, perdida em suas projeções;
Nirvana é a mente voltada pra dentro, reconhecendo sua verdadeira natureza”.

“A mente voltada pra dentro” não significa se tornar introvertido; significa entender realmente a mente, em sua verdadeira natureza.
Quando falamos sobre a mente, há dois aspectos: a aparição da mente, e a essência ou natureza da mente. Sua Santidade o Dalai Lama descreve frequentemente esses dois aspetos como ‘aparição e realidade’. Muitos de nós pensamos que os pensamos e as emoções são a mente. Mas pensamentos e emoções são meramente uma aparição da mente, como os raios de sol, enquanto a natureza da mente é o próprio sol. Quando estamos perdidos nas aparições da mente, não temos a menor idéia do que a essência da mente é de verdade. Por isso o ponto crucial é a direção que nossa mente toma: seja olhando pra fora, perdida em pensamentos e emoções; ou pra dentro, reconhecendo sua verdadeira natureza. 
Se você domar, transformar e conquistar sua mente, então você transformará suas próprias perpceções e sua experiência. Assim mesmo as circunstâncias e as aparências externas começarão a mudar e a aparecer diferentemente.
Meditação
Uma das melhores maneiras de domar sua mente é através da abordagem única e profunda da meditação na tradição budista do Tibete.
A primeira e mais básica prática da meditação é permitir à mente repousar num estado de “calma permanência”, onde ela encontrará paz e estabilidade, e pode descansar no estado de não-distração, que é o que a meditação realmente é. Quando você começa a meditar pela primeira vez, você pode usar um suporte: por exemplo, olhar um objeto ou uma imagem de Buda, ou Cristo se você for um praticante cristão; ou, suavemente, prestar atenção à respiração, que é comum à muitas tradições espirituais.
O que é muito importante, e os grandes professores budistas sempre aconselham, é não fixar enquanto pratica a concentração da permanência calma. É por isso que eles recomendam colocar apenas 25% da sua atenção na consciência da respiração. Mas então, como você deve ter notado, a consciência sozinha não é suficiente. Enquanto você deveria supostamente estar observando a respiração, depois de alguns minutos você pode se ver jogando um jogo de futebol ou estrelando seu próprio filme. Por isso outros 25% deveria ser devotados à vigilância contínua ou atenção observadora, uma que supervisione e cheque se você está prestando atenção na respiração. Os 50% restantes da sua atencão devem ser deixadas permanecendo espaçosamente. Claro, esses percentuais exatos não são tão importantes quando o fato de ter todos esses três elementos — consciência, vigilância e espaço.
Gradualmente, conforme você for descansando sua mente naturalmente em um etado de não-distração, você não precisará da ajuda de uma imagem ou da respiração. Mesmo que você não esteja focando em nada em particular, ainda há alguma presença da mente, que pode ser razoavelmente chamada de um “centro de consciência”.
Essa presença sem distrações da mente éa melhor maneira de integrar sua meditação na vida diária, enquanto você está andando ou comendo ou cuidando dos outros – qualquer que seja a situação. Quando você traz a atenção consciente para suas atividades, as distrações e as ansiedades vão gradualmente disparecer, e sua mente se tornará mais pacífica. Também trará uma certa estabilidade dentro de você mesmo uma certa confiança com a qual você pode encarar a vida e a complexidade do mundo com compostura, facilidade e humor. (…)

Fonte:http://dharmalog.com/

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