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BUDISMO - REMÉDIO PARA A DOR

Budismo - Remédio para a dor ?


Buda fundou a única religião na qual o debate sobre a existência de Deus é irrelevante. O que importa é eliminar o sofrimento e alcançar a felicidade

por Texto Álvaro Oppermann

O filósofo alemão Arthur Schopenhauer tinha acabado de escrever sua obra-prima, O Mundo como Vontade e Representação, quando, em 1818, teve contato com escrituras budistas pela primeira vez. E surpreendeu-se com o que encontrou ali. Considerado um dos pais do realismo pessimista, identificou nelas uma série de similaridades com seu próprio pensamento. Acima de tudo, ficou encantado com um detalhe: a ausência de Deus.


Esse é um dos pontos mais polêmicos e populares no budismo. A Wikipédia, por exemplo, no verbete God in Buddhism ("Deus no Budismo"), diz: "A refutação da existência de um Criador é um ponto-chave para distinguir uma visão budista de uma não budista". Historicamente, a religião surgiu como uma "resposta" ao complexo hinduísmo. Aos milhões de deuses hindus, no entanto, o budismo contrapôs uma religião simples, que prefere não tocar no assunto "Deus".

Por outro lado, um estudioso como Ananda Coomaraswamy - ex-diretor do Museu de Belas-Artes de Boston, nos EUA, e especialista no tema - costumava afirmar: "Quanto mais nos aprofundamos no budismo, mais difícil se torna distingui-lo do hinduísmo em sua visão do divino". Quem está com a razão? Para decifrar essa charada, nada melhor do que recorrer ao fundador da crença budista: Siddharta Gautama.

Gautama nasceu em Lumbini, na Índia, no ano de 485 a.C. Segundo a lenda, ele deu alguns passos e disse em bom páli - dialeto aparentado do sânscrito - que era a mais nobre das criaturas, e que aquele seria seu último nascimento. O pai governava um pequeno feudo. Na corte, um dos sábios brâmanes (a casta sacerdotal hindu) predisse que o futuro do jovem era dúbio. Se amasse o mundo, viraria um grande monarca, unificando todos os reinos da Índia. Mas, se tomasse desgosto pelas coisas mundanas, acabaria na solidão. O rei tentou encaminhar o futuro do filho, construindo para ele um castelo nos arredores de Kapilavastu. O plano era cercá-lo de prazeres, para que, afastado dos infortúnios, se transformasse num grande governante.

A estratégia não funcionou. Aos 29 anos, Siddharta Gautama saiu pela primeira vez dos domínios do feudo. Num passeio, viu um velho, um doente e um cadáver, tudo novidade para ele. "Se o destino final do homem é o sofrimento e a morte, minha vida não faz sentido", teria dito. Em novo passeio, conheceu um homem de manto e cabeça raspada - era um monge. Agora, sim, seu destino estava selado. Naquela mesma noite, Gautama fugiu do palácio para ser monge mendicante. Aos 35 anos, atingiu a iluminação. Em suas próprias palavras, tornou-se um Buda, que em sânscrito quer dizer "O Desperto".

Assim nasceu o budismo. Os ensinamentos de Gautama podem ser resumidos em 4 pontos (ou As 4 Nobres Verdades): o sofrimento é inevitável; ele nasce do apego ao mundo; o sofrimento acaba - e a iluminação começa - quando percebemos o caráter ilusório do mundo; a iluminação é alcançada por quem segue o caminho traçado por Buda.

O "caráter ilusório" das coisas já estava presente na doutrina hindu, e Siddharta Gautama foi enfático em corroborá-lo. Mas, ao contrário dos líderes espirituais do hinduísmo, jamais fez qualquer comentário sobre a figura de Deus. O budismo, assim, tornou-se uma raridade no universo religioso: a única religião não teísta da história. "Buda evitou o debate tragicômico sobre a existência de Deus para se preocupar com questões muito mais importantes", escreveu recentemente o budista Ed Halliwell, colunista do prestigiado jornal britânico Guardian. "Ele dizia que essa discussão não ajuda a eliminar o sofrimento, finalidade primordial de seus ensinamentos."

Certa vez, conta Halliwell, Gautama viu-se pressionado pelo monge Malunkyaputta, seu seguidor, que insistia em perguntar-lhe sobre Deus. A resposta veio com outra pergunta: ao ser atingido por uma flecha envenenada, a primeira coisa a ser feita é descobrir quem a atirou, por que, e que tipo de flecha é aquela, ou removê-la para tratar o ferimento? "Se você se preocupasse primeiro com todas essas respostas", disse o Buda, "morreria antes de encontrá-las."

Budismo sem mistérioTermos e práticas da religião que nem sempre são bem compreendidos

NIRVANAÉ -o conceito-chave do budismo. Literalmente, quer dizer "extinção" - o fim da individualidade humana. Na doutrina budista, a vida é um sonho. O ser humano iluminado, que atingiu o nirvana, é o que despertou desse mundo ilusório.

SEXO TÂNTRICO-Práticas tântricas empregam processos fisiológicos (como a respiração) e mentais (como a visualização do Buda) para colocar o discípulo num estado propício à iluminação. O sexo é apenas uma delas - e, apesar da fama, está longe de ser a mais comum.

Para saber mais

• O Budismo ao Seu Alcance
William Stoddart, Nova Era, 2005.
Fonte:http://super.abril.com.br/religiao/budismo-remedio-dor-619197.shtml

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Quem SomosNós somos um grupo de meditação budista e estudo dos textos do mestre Zen Vietnamita Thich Nhat Hanh.  Nos reunimos semanalmente nas 3a feiras das 19:30hs às 21:00hs, na Rua Jornalista Orlando Dantas, n. 5 no Flamengo - Rio de Janeiro. Clique aqui para ver o mapa. Todos estão convidados a participar conosco da nossa prática de plena consciência segundo os métodos ensinados por Thich Nhat Hanh e detalhada no quadro ao lado. Mesmo os que nunca meditaram ou têm pouca experiência estão convidados. Aos iniciantes serão dadas instruções antes do início da prática. Por isso sugerimos que os iniciantes cheguem 15 minutos antes do início. Semanalmente estudamos um texto de Thich Nhat Hanh. Para conhecer o texto dessa semana…