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MEDITAÇÃO ZAZEN - VOLTAR-SE PARA DENTRO E IR AO ENCONTRO DO SEU VERDADEIRO SER - MONJA COEN

Meditação Zazen

Voltar-se para dentro e ir ao encontro do seu verdadeiro Ser

Por Monja Coen

monja coenZazen significa sentar-se em Zen.
Zen é uma palavra que veio do sânscrito dhyana ou do pali jhana. Os chineses, por onomatopeia, chamaram de Chan. A este Chan deram um ideograma, o qual os japoneses chamam de Zen.
Assim, ao procurar a origem da palavra Zen, muitas vezes traduzida como meditação, encontramosdhyana.
Seria o mesmo Dhyana que Patañjali recomendava aos yogis, o dhyana de Xaquiamuni Buda?
O que sabemos é que foram contemporâneos.
Xaquiamuni Buda viveu na Índia há cerca de 2.600 anos.
Ele havia praticado Yoga, de forma sistemática, por mais de seis anos. Depois de outros tantos anos de práticas ascéticas (tapas) muito rigorosas, sentou-se em Zen.
Este Za (sentar) Zen (dhyana) transforma o jovem peregrino, o praticante de Yoga e de ascetismos em um Buda.
O que foi esse zazen? O que aconteceu e o que acontece quando um ser humano senta-se com determinação, intenção, estabilidade, contentamento, equilíbrio, em uma mesma postura, por horas e horas, dias e noites?
Contam os textos sagrados (Sutras) que Buda foi provocado pelos demônios, diabos.
A palavra diabo tem sua origem em dois, dualidade, o que é dual. Teria o futuro Buda sido provocado pela dualidade?
Primeira provocação: pensamentos dualistas. Sob a árvore da iluminação, o jovem se questiona sobre o significado de estar ali, sentado, em vez de estar com seu pai, cuidando de seu reino. Não é assim conosco, no início dos processos meditativos?
O que estamos fazendo parados aqui? Será que não temos coisas mais importantes a fazer?
Mas ele se manteve sentado.
Segunda provocação: prazeres sensuais. Surge o desejo sexual, mulheres lindas o tocando e seduzindo.
Mas ele não se deixa seduzir e elas desaparecem como brumas no ar, a Índia nessa época era patriarcalista e os textos sagrados, sempre escritos por homens, colocavam as mulheres como grandes sedutoras. Vamos imaginar que a jovem princesa peregrina, a yogini, a asceta, em seu percurso em direção à sabedoria suprema, fosse provocada, seduzida, por homens lindos, fascinantes. Mas não se deixasse seduzir. Assim, podemos incluir Budas mulheres.
Terceira provocação: energias negativas. Dizem que os diabos, tendo falhado em suas duas primeiras tentativas de dissuadir o jovem de suas práticas meditativas, usaram de suas forças energéticas malévolas. Entretanto, tão grande era a determinação do futuro Buda que as energias prejudiciais se transformavam em pétalas de flores.
Quarta provocação: orgulho. Então, Mara, o rei dos demônios, vendo que seus discípulos não conseguiam dissuadir o jovem, foi, ele mesmo, usar sua malícia e sedução:
“Você é o melhor! Você é o maior! Você é superior aos outros seres!”
Sentado em lótus, o jovem coloca a mão direita no chão e diz apenas:
“A terra é minha testemunha”.
Furioso, Mara desaparece.
As dualidades se vão.
Atravessou a noite escura.
Amanhece o dia. Ao ver a estrela da manhã, o novo Buda exclama:
“Eu, a Grande Terra e todos os seres, simultaneamente nos tornamos o Caminho”.
Zazen é sentar-se em Zen.
Ir além das dualidades.
Penetrar o Samadhi Rei dos Samadhis.
Estar em grande intimidade com todos e todas Budas.
Mãos em prece.
Monja Coen
Monja Coen é missionária oficial da tradição Zen budista Soto Shu do budismo japonês e praticante de Yoga,www.zendobrasil.org.br
Fonte:http://www.nowmaste.com.br/meditacao-zazen/

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