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SE SENTINDO SÓ EM MEIO AOS OUTROS - MATTHIEU RICARD

Matthieu 19Abr
Matthieu Ricard
De acordo com Sherry Turkle, uma famosa psicóloga, escritora e diretora da Iniciativa “Tecnologia e Self” do MIT, a mídia “social” é, na realidade, apenas um meio para nos permitir estar sozinhos enquanto permanecemos conectados a muitas outras pessoas!
Um menino de 16 anos, que produz de mensagens de texto sobre quase tudo, disse melancolicamente: “Algum dia, mas não agora, eu gostaria de aprender a ter uma conversa.” Os jovens têm mudado de “ter uma conversa” para “permanecer conectado “. Quando você tem 3.000 “amigos” no Facebook, você não tem conversas reais com nenhum deles. Você só faz ologin para poder falar sobre si mesmo para um público seguro.
Conversas virtuais são momentâneas, rápidas, e às vezes brutais. Face a face, as conversas têm uma natureza completamente diferente: elas são mais lentas, repletas de nuances, e nos ensinam a sermos pacientes. Participar de uma conversa significa que precisamos ver as coisas do ponto de vista do outro, que é um pré-requisito para desenvolver empatia e altruísmo.
Muitas pessoas hoje sentem-se felizes em falar com máquinas que parecem se importar com elas. Está sendo feita uma pesquisa  para desenvolver robôs sociais, destinados a se tornarem companheiros para crianças e idosos. Sherry Turkle viu uma mulher idosa confidenciar a um bebê foca robô sobre a perda de seu filho; o robô parecia olhá-la nos olhos e realmente seguir a conversa, e a mulher admitiu que isso a confortava.
Será que o individualismo foi tão longe em levar as relações humanas ao empobrecimento e ao isolamento ao ponto de conseguirmos encontrar compaixão apenas em robôs? Parece que estamos cada vez mais atraídos por tecnologias que oferecem a ilusão de companhia sem as demandas de relações humanas. Corremos o risco de desenvolver simpatia apenas por nós mesmos, e desenvolver o hábito de lidar com as alegrias e tristezas dentro de uma bolha de egocentrismo.
As pessoas costumam dizer: “Ninguém me ouve.” Facebook e Twitter agora proporcionam uma audiênca automática. No entanto, verificou-se que as redes sociais são principalmente um meio de auto-promoção.
Curiosamente, o desenvolvimento destas relações pseudo-humanas anda de mãos dadas com o medo da solidão. As pessoas agora estão com medo de ficar sozinhas consigo mesmas. Entregues a si mesmas, sentem a necessidade de fazer um login. Segundo Turkle, as pessoas passaram da fase “Eu sinto algo, vou compartilhá-lo enviando uma mensagem”, à compulsão “Preciso sentir alguma coisa, preciso enviar uma mensagem “.
Falta-nos a capacidade de estarmos sós conosco mesmos, e assim nos voltamos para os outros, não para estabelecer uma relação altruísta e desenvolver um interesse sobre quem eles são, mas para usá-los como peças de reposição para apoiar nossas personalidades cada vez mais frágeis. Nós pensamos que, permanecendo “conectados” nos sentiremos menos solitários, mas na verdade acontece o oposto. Se não somos capazes de estar sós, somos mais propensos a sofrer de solidão. A pesquisa constatou que o americano comum sofre de uma forte crise de solidão, em média, uma vez a cada quinze dias. De acordo com Turkle, “Se não ensinarmos nossas crianças a ficarem sozinhas, sofrerão sempre de solidão”.
Nós também precisamos revitalizar o hábito de conversar no trabalho e em casa. Pessoas que participam com frequência de conferências e reuniões sabem que é geralmente durante as conversas de cafezinho que as interações mais frutíferas acontecem.
04/19/2013 
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